Ainda
numa galáxia equidistante daqui, o mais simplório dos seus cidadãos foi
contagiado pela perseverança, uma bactéria dada como oxigênio. Foi quando ele resolveu
que mudaria repentinamente de lida. Sendo assim, ficaria milionário o mais
rápido possível e no mínimo se casaria com o mais belo espécime interplanetário
já existente, a atual miss universo. Por recomendação, já buscara um tal de
Fausto, entendido na matéria, que lhe dissera na ocasião que o caminho mais
curto para tal empreitada seria um pacto, todavia também este lhe avisara das
infinitas contraindicações de se encontrar com A.Q.N.S.D. (aquele-que-não-se-diz).
Achou enigmático e prontamente começou a caçar no oracular Google algumas
providências cabíveis para tanto e ao fim de um ano já era o maior perito em
“dispachos”: Quiboa, farelo e caldo Knorr, galinha. Mas pouco aconteceu! Fausto
então interveio novamente: “Amigo, apesar do aprimoramento, é pouco! Você
precisa de uma maior visibilidade para driblar a concorrência”. Pensou em ser
modelo ou jogador de futebol, porém a idade já avançava, então acabou mesmo numa
FACUL. Maleporcamente sabendo escrever, utilizou de todos os meios sóbrios e
sombrios para pendurar na parede um diploma de Letras: “trabalhar naquilo era o
diabo, se tivesse feito Direito poderia ao menos chegar à presidente do Supremo!”
Mesmo assim, por meio de uma lábia infernal começou vereador, saltando de bancadas
carismáticas a evangélicas e vice-versa. Até por um Partido Socialight Cristão arriscara,
não sendo assim difícil de conhecer empresários que financiassem sua eleição, já
para deputado. Numa trajetória meteórica, ele se aposentou senador com certa influência
nos demais podheres. Atualmente, empreiteiro, ruralista, dono de plano de saúde
e de várias faculdades, pelo país; de igrejas e bancos, pelo planeta; além de mecenas
e filantrópico, não lhe foi também difícil convencer o próprio Fausto a ser seu
ghostwriter. Este me disse recentemente que impossível era não notar naquele
certo ressentimento pelo fato da sua musa tê-lo trocado por um bicheiro, um
contraventor menor. Ainda assim, não se poderia deixar de reparar a grande espirituosidade do nosso herói: “aquele-que-não-se-diz, aquele-que-não... deve ser
porque ele não responde, né?!”
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