terça-feira, 4 de dezembro de 2012

o PACaTO


Ainda numa galáxia equidistante daqui, o mais simplório dos seus cidadãos foi contagiado pela perseverança, uma bactéria dada como oxigênio. Foi quando ele resolveu que mudaria repentinamente de lida. Sendo assim, ficaria milionário o mais rápido possível e no mínimo se casaria com o mais belo espécime interplanetário já existente, a atual miss universo. Por recomendação, já buscara um tal de Fausto, entendido na matéria, que lhe dissera na ocasião que o caminho mais curto para tal empreitada seria um pacto, todavia também este lhe avisara das infinitas contraindicações de se encontrar com A.Q.N.S.D. (aquele-que-não-se-diz). Achou enigmático e prontamente começou a caçar no oracular Google algumas providências cabíveis para tanto e ao fim de um ano já era o maior perito em “dispachos”: Quiboa, farelo e caldo Knorr, galinha. Mas pouco aconteceu! Fausto então interveio novamente: “Amigo, apesar do aprimoramento, é pouco! Você precisa de uma maior visibilidade para driblar a concorrência”. Pensou em ser modelo ou jogador de futebol, porém a idade já avançava, então acabou mesmo numa FACUL. Maleporcamente sabendo escrever, utilizou de todos os meios sóbrios e sombrios para pendurar na parede um diploma de Letras: “trabalhar naquilo era o diabo, se tivesse feito Direito poderia ao menos chegar à presidente do Supremo!” Mesmo assim, por meio de uma lábia infernal começou vereador, saltando de bancadas carismáticas a evangélicas e vice-versa. Até por um Partido Socialight Cristão arriscara, não sendo assim difícil de conhecer empresários que financiassem sua eleição, já para deputado. Numa trajetória meteórica, ele se aposentou senador com certa influência nos demais podheres. Atualmente, empreiteiro, ruralista, dono de plano de saúde e de várias faculdades, pelo país; de igrejas e bancos, pelo planeta; além de mecenas e filantrópico, não lhe foi também difícil convencer o próprio Fausto a ser seu ghostwriter. Este me disse recentemente que impossível era não notar naquele certo ressentimento pelo fato da sua musa tê-lo trocado por um bicheiro, um contraventor menor. Ainda assim, não se poderia deixar de reparar a grande espirituosidade do nosso herói: “aquele-que-não-se-diz, aquele-que-não... deve ser porque ele não responde, né?!”

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